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Nenhum Natal será o mesmo sem você

Essa época do ano me lembra você. Não só porque era o mês do seu aniversário ou porque fim de ano é normal bater nostalgia, mas sim porque tem festa, tem comida e principalmente porque tem alegria. E essas três coisas juntas não me lembram outra pessoa a não ser você, vó.

E faz tanta falta não te ter aqui.

A casa parece sempre vazia, todo dia eu tenho a sensação de que ela está incompleta. Até mesmo com a Manuela correndo de um lado para o outro cantando e gritando, eu escuto o silêncio que faz não ter a sua voz vinda da cozinha. Sempre da cozinha; o seu lugar preferido e o lugar que eu sempre acho que vou te encontrar ao chegar em casa.

Nenhum Natal será o mesmo sem você cozinhando de manhã até de noite, e indo enfrentar mercado em pleno dia 24 porque tá faltando algum ingrediente pra uma das 50 receitas que você fazia ao mesmo tempo. Não tem mais a sua farofa, a torta de frutas, o arroz de formo, e o pastel. O bendito pastel que você ficava fritando até 23:59h.

“Vó, vai tomar banho e se arrumar que já são quase meia-noite! ”, “Chega de pastel, já tá bom de comida”, “Vem cear com a gente! ”

“Já estou indo! Vocês não querem que eu fique fritando pastel, mas quando eu coloco na mesa não sobra um! ”

E não sobrava mesmo. Tudo que você fazia era tão carregado de amor e carinho, que não sobrava nada.

Só que hoje a casa está vazia, a ceia não está pronta e as luzes apagadas. A sensação que tenho é de que você deve está chateada com isso. Me desculpa, vó. Eu devia tá fritando o pastel por você, mas não é fácil sem a sua presença. Sem você falando que eu estou fazendo errado. Sem você querendo fazer tudo do seu jeito. Sem a sua risada e a sua voz enchendo a nossa casa.

Esse ano vai ser mais um em que eu não vou ouvir você falando ao telefone, com algum parente que mora longe, que a sua neta parece uma modelo. Sempre elevando a minha auto estima. Gosto de pensar que, se ainda estivesse aqui, hoje você incluiria na conversa que eu sou fotógrafa e puxei o gosto pela fotografia de você. O que seria a mais pura verdade. Aliás, obrigada por ter registrado a minha infância. Uma das câmeras que você usou para isso fica no meu estúdio, para sempre me lembrar que essa paixão (que virou profissão) nasceu junto com cada sorriso que eu te dei quando estava me fotografando com ela.

Agora eu estou aqui, encarando a tela do computador com o coração apertado de saudades, e querendo um abraço de vó.

Nenhum Natal, ou qualquer outro dia do ano, será o mesmo. Mas essa época do ano me lembra você, o que me lembra da tua risada, e logo me faz sorrir.

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Leia esse texto se você tem sonhos estagnados

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Como escrever sobre sonhos? Ainda mais quando estão parados no tempo? Eu poderia começar esse texto citando aquela música do Renato Russo: voltamos a viver como há dez anos atrás e a cada hora que passa envelhecemos dez semanas. Só que há dez anos atrás eu tinha doze anos. E aos doze anos minha única certeza na vida era que aos vinte e dois anos eu já estaria morando no meu próprio apartamento, viajando o mundo, com uma carreira profissional incrível, uma vida saudável e meu próprio cachorro (da raça labrador, que chamaria de Jack).

Parece que eu estou decepcionando aquela garotinha, porque não tenho um apartamento para chamar de meu. Muito menos um labrador. E a vida saudável? Bem, vamos mudar de assunto.

Mas eu não esqueci esses sonhos, por mais que estejam estagnados. Pelo contrário, estão todos bem guardados e organizados no meu ser. E é por aquela garota de doze anos – cheia de certezas – que eu me levanto todas as manhas para tentar mais uma vez.  Falho, erro, caio, levanto, tento de novo, acerto, erro de novo e desanimo, mas nunca desisto.

Ninguém me avisou que, no auge dos meus vinte e poucos anos, a vida seria tão diferente do que eu havia sonhado. Podiam ter me alertado sobre as pedras no caminho. Será que me alertaram? Vai saber, eu só tinha doze anos.

Às vezes sinto como se estivesse correndo atrás de algo que ainda não sei o que é. Há dez anos atrás tudo parecia ser tão simples. Sonhar era mais simples.

Mas os sonhos ficaram para criança de doze anos, e agora tá na hora de encarar a realidade da vida. Esse é o momento de transformar os sonhos em planos, criar metas e manter o foco. Se desesperar na primeira dificuldade também, é normal, mas respirar fundo e seguir em frente.

Aprendi que comparar o meio caminho andado de alguém com o início da minha caminhada não ajuda em nada. E se você também tem feito isso, por favor, por você, pare. Cada ser dessa terra tem uma missão. Talvez você ainda não tenha encontrado a sua. Ou já encontrou, mas ainda não a compreendeu. Ou já compreendeu, mas ainda não a aceitou. Tá tudo bem, mesmo. Vai no seu ritmo.

Me desculpem, mas eu vou citar a música do Renato de novo: a riqueza que nós temos ninguém consegue perceber.  Não use a vida de outra pessoa como base para sua, ainda mais se isso for te deixar desmotivado. Busque inspiração, sim, isso está liberado, mas não se martirize por não ser igual. Não queira ser igual, queira ser você. Enxergue a riqueza que existe em você, mesmo que ninguém mais a perceba.

As coisas não costumam acontecer no tempo em que planejamos, mas sempre acontecem do jeito certo e, principalmente, na hora certa. Não desista, até porque negatividade só atrai negatividade.

Agarre-se a isso: se ainda não aconteceu, ainda não chegou a hora, mas quando a hora chegar será perfeito.

Eu ainda não realizei todos os sonhos da menininha do início desse texto. Seria mais fácil se todos os nossos desejos, sonhos, planos e projetos se realizem como mágica, igual aos contos de fadas da infância. Mas quando olho para minha bagagem da vida, há muito mais conquistas acumuladas do que aquela menina poderia ter imaginado.

Vamos seguir em frente, enfrentando o mundo. Construindo os degraus que nos levarão a realizar os sonhos de criança e aproveitando o caminho para sonhar cada vez mais alto.

 🌻

Obrigada por ler este post!

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Uma chance de recuperar o tempo perdido

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Querido Diário,

Me desculpa ter te deixado de lado, a vida adulta tem me tomado muito tempo. Eu pensei que seria mais fácil, acho que alguém até tentou me alertar do contrário, mas eu não dei atenção. Estou aqui limpando a sua poeira e espero que ainda exista uma chance de recuperar o tempo perdido, porque eu tenho muita coisa para te contar. Já até escolhi minha melhor caneta, estou caprichando na letra e usando um marca texto roxo para destacar o que for mais importante.

Preciso começar a te atualizar, pois a pessoa que está lhe escrevendo agora é alguém muito diferente da que você um dia você conheceu. Atualmente tenho 22 anos. Isso mesmo, você não entendeu errado, vinte e dois anos. E antes de se questionar “porque uma mulher dessa idade voltou a usar um diário?” É melhor me perguntar porque um dia eu parei de escrever. Bom, o porquê foi a vida e todas as voltas que ela deu. Mas não quero te sobrecarregar com essa história de uma vez só, então vou te contanto os detalhes aos poucos.

Ainda moro com os meus pais, mas não com os dois, cada dia estou na casa de um e até que agora eu prefiro assim. O bairro é o mesmo, os vizinhos continuam sendo estranhos e com péssimos gostos musicais, mas nada que um “bom dia” tímido e fones de ouvido não resolvam. Ah, e agora eu divido meus chocolates e mimos com a Manu, minha irmã materna de três anos que, segundo a minha mãe, consegue ter mais maturidade que eu. Mas é a Manuela que implica primeiro, mãe.

Estou trabalhando em casa, o tão sonhado home office, só que a expectativa e a realidade vivem se estranhando por aqui. Acho que é porque as segundas ferias são sempre mais difíceis. Apesar disso, me sinto orgulhosa em relação as minhas decisões. Finalmente criei coragem e sai de uma situação cômoda que estava me corroendo de dentro pra fora. Tenho sofrido de insônia, e olha que eu diminuí a quantidade de café, mas quando o sono vem eu não consigo controlar, tipo agora. Então até a próxima diário, prometo não mais te abandonar.


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